Poesia

Vontades Sonhadas

Luminosidades. Segue a voz acesa, difusa, a flecha.
Ana Buk

Rima de Arcano

Louco, Imperador, Lua

Louco, Lua, Imperadador: Rima de Arcano

Te falei amiúde de um sentir abstrato

Da jornada que existe em cada casa

Do espelho que mora em teu retrato

Que muda de nome e avança sem mapa

Na dificuldade do tabuleiro

 

Quando Louco decifrou a entrega

Quando Imperador visitou a coragem

Quando Lua aprendeu pela dor

 

Nas quadras do sonho se fez a partilha

O fluxo dos passos escada ou abismo

Gradações que teu foco analisa

A imensidão de dentro único destino

Uníssono e avante o movimento da vida

O Espaço de Fora

Lua, Sonho e Prata
O Espaço de Fora e Tua Órbita

Ler Poema O Espaço de Fora - Lua - Sonho - Prata
Moonlit Dreams – Gabriel Ferrier

Lua, Sonho e Prata
O Espaço de Fora e Tua Órbita

Sonhei, na brevidade da noite, que adormeci nos braços da Lua, aninhada em seus cabelos de prata. Sua face retraída vigiava o sono enquanto de mim transbordava água profunda de mar, oceano. Na brevidade da noite, adormecida nos braços da Lua, sonhei com sua órbita, e nela habitava eu perpetuamente o apolúnio

O fio de prata, cabelo da Lua onde me aninhara, era o que restava entre meu corpo celeste e o teu.  Meu sonho satélite foi o preâmbulo do dia e se seguiu lunar, semicírculo. Meus olhos brilhavam ainda o sumo da noite, criaturas vivas, ecos do sonho. Os espelhos refletiam o firmamento e as nuvens que vinham de ti, longas e baixas, se apressam  a dominar os quartos de meu pensamento. 

É sob esse céu de entregas que meu corpo vacila. De olhos ampliados te enxergo claramente, todo detalhe e peso, poço gravitacional e magnitude aparente, o brilho de tudo que somos, magnitude absoluta, fio de prata, Lua e água; nos observamos em silêncio que fala.

O perilúnio da órbita inevitável. 

Meu exagero, oceano profundo, como manto da abundância que garante o funcionar da Física de Grandiosidades. Meus olhos que amplificam te alcançam e tocam urgentes tua tez de nuvem. Tua urgência me toca de volta na abóbada, nos quartos inundados, no centro íntimo de tudo que arde. 

No espaço breve da noite, semicírculo do dia, teu rosto estava ali, real, do outro lado do Atlântico.


Ascenção

Mar, Luminosidade, memória

Ler poema Mar, luminosidades, memória: Ascensão, imagen ilustrativa Elves And Fairies A Midsummer Night's Dream by John George Naish
Midsummer Night’s Fairies – John George Naish

Mar, luminosidades, memória: Ascensão

Meu peito se refaz em flor ao toque do seu olhar.

Quando te vejo, rapidamente alcanço o ápice, cômodo do alto, jardim das alturas. As palavras vem em trindades, rima que ativa sigilos, memórias preservadas na disciplina da terra. Você guardou relicários, singelos fragmentos da palavra, numerologia e datas. Do vão de seus dentes escorreu o passado que encontrou meu peito aberto, domado. A sede por teus olhos não cessa, não passa essa fome por teus poros e cachos, teu sono, teu centro que conheci aos poucos e cada vez mais.

Eu te observo, longínquo, na distância do mar e o mar te entrega em ondas, progressões, espuma vidente. Me seguro no eco do beijo, na aurora que te encontrou em minha cama, na música de sua chegada. Eu te digo luminosidades, testando o vocabulário que te aproxima, convocando o círculo, o arco. Todo artifício e liturgia para aproximar teu corpo; te guiar as mãos, me toque aqui, me experimenta ali.

Segue a voz acesa, difusa, a flecha.