Ascenção

Mar, Luminosidade, memória

Ler poema Mar, luminosidades, memória: Ascensão, imagen ilustrativa Elves And Fairies A Midsummer Night's Dream by John George Naish
Midsummer Night’s Fairies - John George Naish

Mar, luminosidades, memória: Ascensão

Meu peito se refaz em flor ao toque do seu olhar.

Quando te vejo, rapidamente alcanço o ápice, cômodo do alto, jardim das alturas. As palavras vem em trindades, rima que ativa sigilos, memórias preservadas na disciplina da terra. Você guardou relicários, singelos fragmentos da palavra, numerologia e datas. Do vão de seus dentes escorreu o passado que encontrou meu peito aberto, domado. A sede por teus olhos não cessa, não passa essa fome por teus poros e cachos, teu sono, teu centro que conheci aos poucos e cada vez mais.

Eu te observo, longínquo, na distância do mar e o mar te entrega em ondas, progressões, espuma vidente. Me seguro no eco do beijo, na aurora que te encontrou em minha cama, na música de sua chegada. Eu te digo luminosidades, testando o vocabulário que te aproxima, convocando o círculo, o arco. Todo artifício e liturgia para aproximar teu corpo; te guiar as mãos, me toque aqui, me experimenta ali.

Segue a voz acesa, difusa, a flecha.