O Espaço de Fora

Lua, Sonho e Prata O Espaço de Fora e Tua Órbita

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Moonlit Dreams - Gabriel Ferrier

Lua, Sonho e Prata
O Espaço de Fora e Tua Órbita

Sonhei, na brevidade da noite, que adormeci nos braços da Lua, aninhada em seus cabelos de prata. Sua face retraída vigiava o sono enquanto de mim transbordava água profunda de mar, oceano. Na brevidade da noite, adormecida nos braços da Lua, sonhei com sua órbita, e nela habitava eu perpetuamente o apolúnio

O fio de prata, cabelo da Lua onde me aninhara, era o que restava entre meu corpo celeste e o teu.  Meu sonho satélite foi o preâmbulo do dia e se seguiu lunar, semicírculo. Meus olhos brilhavam ainda o sumo da noite, criaturas vivas, ecos do sonho. Os espelhos refletiam o firmamento e as nuvens que vinham de ti, longas e baixas, se apressam  a dominar os quartos de meu pensamento. 

É sob esse céu de entregas que meu corpo vacila. De olhos ampliados te enxergo claramente, todo detalhe e peso, poço gravitacional e magnitude aparente, o brilho de tudo que somos, magnitude absoluta, fio de prata, Lua e água; nos observamos em silêncio que fala.

O perilúnio da órbita inevitável. 

Meu exagero, oceano profundo, como manto da abundância que garante o funcionar da Física de Grandiosidades. Meus olhos que amplificam te alcançam e tocam urgentes tua tez de nuvem. Tua urgência me toca de volta na abóbada, nos quartos inundados, no centro íntimo de tudo que arde. 

No espaço breve da noite, semicírculo do dia, teu rosto estava ali, real, do outro lado do Atlântico.